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PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO |
São conhecidos, nas paisagens Norte Alentejanas, mais de meio milhar de monumentos megalíticos. Dólmenes e menires foram erguidos, há mais de cinco mil anos, durante o Neolítico, pelas primeiras comunidades agro-pastoris. Os concelhos de Monforte, Sousel e Fronteira são marcados por uma ampla diversidade de sepulturas megalíticas e de menires. Os grandes dólmenes do concelho de Fronteira, especialmente os que formam a Necrópole Megalítica da Herdade Grande constrastam com a singularidade do dólmen de xisto situado nas imediações de Sousel. Contudo, qualquer deste monumentos que ocupam solos aplanados, afastam-se da estratégia de implantação das casas dos mortos que foram construídas, pelas gentes do Neolítico, no topo da Serra das Penas, a meio caminho entre Fronteira e Cabeço de Vide. Aqui, três dólmenes, disputam com um interessante habitat fortificado, cuja última ocupação é atribuível à Idade do Ferro, o topo de uma cumeada da qual se desfruta uma vastíssima paisagem. Já no concelho de Monforte, a Anta da Serrinha, esconde-se num estreito vale a escassos metros de um curso de água.
Neste concelho não deixe de visitar a anta grande da Rabuje, monumento já referido desde 1929. Aí, atente no conjunto de covinhas que decoram um bloco granítico na zona do corredor. Junto à estrada Monforte-Portalegre poderá, ainda, visitar a Anta do Monte Velho e o Menir dos Sete. Este, perfeitamente visível, é um grande afloramento granítico que com alguma arte do homem pré-histórico ganhou uma forma singularmente fálica. Em seu redor desenha-se uma plataforma, maioritariamente artificial, que terá servido de espaço cénico a manifestações rituais durante o Neolítico, como atestam, quer outros blocos graníticos talhados pela mão humana, quer a presença de cerâmicas. Pode ainda encontrar no concelho de Monforte, nas imediações das ruínas romanas de Torre de Plama, o Menir da Carrinlha. Noticiado desde que se iniciaram trabalhos nas ruínas, o Menir da Carrilha terá sido várias vezes reutilizado e descolado ao longo dos tempos, servindo actualmente como marco de divisão de propriedade junto a um velho poço e a uma linha de água.
Anta do Monte Velho
Designação e localização
A anta do Monte Velho localiza-se no concelho de Monforte, freguesia de Assumar, numa propriedade privada denominada Monte Velho. No inventário geral de sítios arqueológicos (www.igespar.pt) é designada como “Velho1”, com o CNS (Código Nacional de Sítio) 11883. Está integrada no Percurso Megalítico do concelho de Monforte e encontra-se sinalizada a partir do IP2 com a designação “Anta do Velho”. A implementação deste percurso data de 2001 e resulta de um trabalho desenvolvido pelos então Região de Turismo de S. Mamede e IPA (Instituto Português de Arqueologia), com a colaboração das Câmaras Municipais do distrito de Portalegre.
Descrição Este monumento funerário do período Neolítico-Calcolítico, apresenta uma câmara com seis esteios (blocos de pedra), embora originalmente fossem sete, faltando um a Sul. Do corredor, que se apresenta descentrado para Sul em relação à câmara, são visíveis 11 esteios (7 de um lado e 4 do outro).
Trabalhos arqueológicos Em 2000 foi alvo de trabalhos de valorização que consistiram na remoção de lixos e pedras soltas do interior da câmara, no seu preenchimento com seixos de rio e na colocação de marcos de delimitação em redor da anta. Em 2010 foi efectuada a sua limpeza e manutenção, através do corte de vegetação e do reforço da brita que preenchia o interior da câmara, tendo também sido pintados os marcos de delimitação do espaço e a sinalética direccional.
Em 2011 decorreu a 1.ª Campanha de escavações arqueológicas na anta do Monte Velho, nos períodos compreendidos entre 11 e 15 de Abril e entre 4 e 15 de Julho, resultado da colaboração entre o Município de Monforte e a Universidade de Évora.
Estes trabalhos tiveram como objectivo a leitura científica do monumento e a obtenção de novos dados que contribuam para uma maior e melhor informação sobre o património arqueológico de Monforte, para posterior disponibilização ao público. Em data indeterminada, mas provavelmente em meados do séc. XX esta anta foi objecto de trabalhos clandestinos, tendo sido feito um buraco no interior da câmara, por certo com o intuito de recolher espólio valioso. Essa violação fragilizou a estrutura da câmara pelo que foi necessário reforçar a estabilidade dos esteios com a colocação de escoras. Em 2011 abriu-se uma sondagem de 16 x 5 metros que abrange a totalidade da anta e parte da mamoa (estrutura de contenção e reforço da anta, constituída por pedras e terra, que originalmente cobria todo o monumento). Recorreu-se ao apoio de máquinas para retirar duas tampas caídas no interior do corredor, para que fosse possível escavar nessa área.
Estes trabalhos possibilitaram uma melhor definição do corredor do monumento, com mais de 7 metros de comprimento, apresentando um desvio acentuado em relação ao esteio de cabeceira da câmara, de Este para Sul. Recolheram-se diversos fragmentos de cerâmica, lâminas e lamelas em sílex, cujo estudo se encontra em curso.
Só a continuação dos trabalhos e o estudo integral do monumento, quanto à sua planta, contextos arqueológicos e materiais associados permitirá a obtenção de novos dados e a escrita da História da Anta do Monte Velho. |